Currais Novos agosto 12, 2025
Tarifaço dos EUA atinge exportações do RN; Currais Novos sente impacto no setor mineral

As novas tarifas de 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos exportados pelo Rio Grande do Norte, em vigor desde 6 de agosto de 2025, já preocupam produtores e autoridades potiguares. Segundo levantamento do Observatório da Indústria MAIS RN, da Federação das Indústrias do RN (FIERN), dez cidades concentram as exportações mais afetadas, que somaram US$ 37,84 milhões (valores FOB) entre janeiro e julho deste ano.
No ranking, Natal lidera com US$ 13,96 milhões, seguida por Macaíba (US$ 5,46 mi) e Parelhas (US$ 4,39 mi). Currais Novos ocupa a sexta posição, com US$ 1,565 milhão em exportações no período. Os principais itens enviados ao mercado norte-americano incluem obras de pedra, gesso, cimento, amianto e metais preciosos, produtos agora diretamente atingidos pelo aumento tarifário.
Economia local e dependência do setor mineral
Conhecida pela extração mineral, especialmente de scheelita e ouro, Currais Novos mantém no setor um dos pilares de sua economia. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) estimado do município é de aproximadamente R$ 804 milhões, sendo 50,9% provenientes de serviços, 11,2% da indústria – onde se insere a mineração –, 2,7% da agropecuária e 35,2% da administração pública.
As importações para abastecer a produção local vêm principalmente da China (72,9% em peso), Itália (13,4%) e Estados Unidos (6,6%). Esse perfil comercial coloca o município em posição vulnerável diante de mudanças nas regras internacionais de comércio, como o tarifaço norte-americano.
Preocupação setorial
Para o presidente da Federação dos Municípios do RN (Femurn), Babá Ferreira, a medida pode reduzir a arrecadação municipal. “O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) tem 15% de sua composição proveniente do IPI, imposto que incide sobre produtos atingidos pelas tarifas. A queda nas exportações pode gerar impactos diretos no orçamento das prefeituras”, afirmou.
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, alerta para possíveis consequências prolongadas. “A pauta exportadora dessas localidades é fortemente composta por produtos como pescado, sal e açúcar, todos atualmente sujeitos ao acréscimo tarifário de 50%. As empresas estão buscando alternativas e novos mercados, mas a competitividade será um desafio”, disse.
Estratégias para mitigar perdas
O Sebrae-RN também atua no apoio a empresas exportadoras, oferecendo consultoria para diversificação de mercados e adaptação de produtos. “Existe toda uma cadeia de pequenos fornecedores que depende de setores como o pesqueiro e o salineiro. A busca por novos destinos, especialmente na Europa, África e Ásia, é essencial para manter operações e empregos”, destacou David Góis, gerente de Acesso a Mercados da instituição.
Enquanto as negociações comerciais e ajustes estratégicos acontecem, Currais Novos e demais municípios impactados aguardam para medir os efeitos concretos do tarifaço. Caso a medida seja mantida a longo prazo, especialistas apontam que será necessário não apenas abrir novos mercados, mas também investir em competitividade e redução de custos logísticos para evitar retração econômica no estado.
Observatório da Indústria MAIS RN/Fiern